Chorar. Mas porque choramos ?

Chorar é a primeira atitude de um bebê quando nasce. E todos nós choramos, em privado, em público, por alegria, por tristeza  ou mesmo sem saber bem a razão. E ninguém duvide que mesmo aquele que se julga muito forte também vai chorar um dia, mesmo que não saiam lágrimas de seus olhos.

Emocionou-se com um filme? Sentiu as lágrimas escorrer quando poeira entrou para o olho? É por um bom motivo: o seu cérebro está a reagir aos estímulos que o seu corpo envia. Se bem que o choro é associado maioritariamente a questões emocionais, é também uma forma de proteger o olho de possíveis ataques. Também choramos quando cortamos cebola…

É por isso que chora quando a poeira entra para o olho, ou quando corta uma cebola (e é libertada uma substância chamada propanotial-S-óxido): o cérebro está a proteger o seu olho. Quando surge uma situação do género, os nervos sensoriais da córnea avisam o cérebro de uma ameaça, e são libertadas hormonas para as glândulas lacrimais.

O choro pode ter vários significados diferentes: alegria ou dor, vitória ou derrota, heroísmo ou fraqueza. Tudo depende da cultura, da época e do sexo de quem derrama as lágrimas.

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Mas afinal, porque choramos ?

Chorar faz parte de nossa vida desde o dia em que nascemos. Um especialista explica que, para os bebês, o choro é como um “cordão umbilical acústico” — os bebês dependem do choro para que suas necessidades emocionais e físicas sejam atendidas. Mas porque os adultos choram se podem se comunicar de outras formas?

Lágrimas de emoção enchem nossos olhos por diversos motivos. Choramos por tristeza, frustração, dor física ou emocional. Por outro lado, também choramos quando sentimos alívio ou muita alegria, ou quando nos sentimos realizados — nesses casos, as lágrimas são de felicidade. As lágrimas também podem ser contagiantes. “Se vejo alguém chorando — não importa o motivo — eu também começo a chorar”, diz María. Talvez até mesmo um filme ou um livro faça você chorar.

Seja qual for a razão, chorar é uma poderosa linguagem não verbal. O livro Adult Crying (Quando Adultos Choram) explica: “Poucas outras formas de comunicação dizem tanto em tão pouco tempo.” As lágrimas provocam reações. Por exemplo, para a maioria de nós, é difícil ignorar lágrimas de tristeza porque elas nos alertam de que alguém está sofrendo. Nossa reação talvez seja consolar ou ajudar a pessoa que está chorando.

Alguns especialistas acreditam que chorar é uma boa forma de extravasar nossas emoções e que ter ohábito de segurar as lágrimas pode prejudicar nossa saúde. Outros dizem que os benefícios físicos e psicológicos do choro ainda não foram cientificamente comprovados. Mas pesquisas calculam que 85% das mulheres e 73% dos homens se sentem melhor depois de chorar. Noemí explica: “Às vezes, sinto que preciso chorar. Depois que choro, consigo respirar fundo e ver as coisas de forma mais clara, em sua devida dimensão.”

Chorar alivía ?

Será que chorar pode trazer algum tipo de paz de espírito ou alívio do stress? Os cientistas não sabem ao certo, mas já apontam pistas de que nem sempre é assim. Depende de basicamente duas coisas: por qual motivo a pessoa está chorando e como outras pessoas reagiram a esse choro.

É possível que o choro estimule o sistema nervoso parassimpático, e libere substâncias responsáveis por reduzir o estresse e a ansiedade, como a oxitocina. Só que isso é apenas especulação. Não se sabe muito sobre as características fisiológicas do cérebro no momento do choro – é um quebra-cabeça difícil de montar, já que pouco foi descoberto sobre os complexos mecanismos desse órgão.

O alívio que sentimos quando choramos também tem a ver com a forma como outros reagem ao nosso choro. Por exemplo, quando nossas lágrimas fazem com que outros nos consolem ou nos ajudem, temos a sensação de alívio. Por outro lado, se a reação dos outros não for boa, talvez fiquemos envergonhados ou nos sintamos rejeitados.

É evidente que ainda não sabemos tudo sobre o choro. Mas reconhecemos que derramar lágrimas é uma das reações emocionais mais intrigantes que Deus nos deu.

Tipos diferentes de lágrimas

  • Lágrimas basais. As glândulas lacrimais produzem constantemente esse tipo de lágrima, um líquido claro que protege e lubrifica nossos olhos, além de melhorar a visão. Quando piscamos, esse fluido é espalhado pela superfície do olho.
  • Lágrimas reflexivas. Quando uma substância ou partícula entra em nossos olhos e causa irritação, o olho reage produzindo esse tipo de lágrima. As lágrimas reflexivas também estão relacionadas às mais variadas ações, como bocejar e gargalhar.
  • Lágrimas emocionais. Quando sentimos uma emoção forte, essas lágrimas, próprias do ser humano, entram em ação. Elas contêm uma concentração de proteína 24% maior do que as lágrimas reflexivas.

Curiosidade: Os animais também choram ?

Algumas pessoas asseguram já ter visto seus animais de estimação e outros animais chorando: cães, focas, castores e golfinhos; mas nenhuma destas declarações foi comprovada. Inclusive Jeffrey Moussaieff Masson e Susan McCarthy, autores de “Quando os elefantes choram“, se propuseram estabelecer a natureza da emoção nos animais, mas, após narrar com detalhe e grande patetismo a história da elefantinha chorona, tiveram que admitir que muito provavelmente os elefantes não choram.

Há relatos de animais que apresentam padrões de comportamento parecidos com o choro, só que eles não soltam lágrimas, além de o comportamento não existir mais após a infância. Os humanos choram quando já são adultos não só por razões egocêntricas, mas também por empatia (capacidade de se identificar com os problemas das outras pessoas). Especula-se que o ato estimula o sistema nervoso parassimpático e libera substâncias nas lágrimas responsáveis por reduzir o estresse e a ansiedade, como a oxitocina.

Ainda tem alguma dúvida ? Assista o seguinte vídeo para mais algum esclarecimento sobre a fisiologia do choro:

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